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Compras Online e Homebanking

O comércio online, através dos canais digitais e fora das (tradicionais) lojas físicas, está em franco crescimento, não apenas pela comodidade que oferece (na pesquisa e receção das encomendas no conforto do lar), mas igualmente pela maior oferta de produtos e preços. Também o homebanking, enquanto extensão dos (tradicionais) balcões bancários, apresenta vantagens que importa conhecer para delas tirar o máximo partido (e, assim, diminuir os custos de algumas comissões bancárias).

Compras online

O comércio online (ou “e-commerce”) é o termo utilizado para designar qualquer relação de consumo (compra e venda de produtos e serviços) que ocorra através da Internet. 

As vantagens para os consumidores com o comércio online são inúmeras, a começar com o acesso a um conjunto de produtos e serviços bem mais alargado (um mercado verdadeiramente global, sem barreiras físicas) e tendencialmente mais barato (dado que os bens podem ser adquiridos diretamente ao produtor, assim se evitando custos com intermediários e/ou revendedores).

NOVE VANTAGENS DE COMPRAR ONLINE

  • Conveniência
  • Melhores preços
  • Maior variedade de bens
  • Maior controlo
  • Maior facilidade de comparação de preços
  • Fuga de multidões
  • Inexistência de pressão de vendedores
  • Acesso a inventário usado ou danificado
  • Descontos e notificações

NOVE DESVANTAGENS DE COMPRAR ONLINE

  • Risco de fraude
  • Problemas com o envio e atrasos
  • Não poder experimentar os produtos
  • Devoluções mais complicadas
  • Maior dificuldade em avaliar o que se está a comprar à distância
  • Falta de assistência pós-venda (em alguns casos)
  • Sites complicados e não amigos do utilizador (em alguns casos)
  • Impacto ambiental relacionado com o envio (packaging e gases)

Privacidade e segurança (em alguns casos)

COMO COMPRAR ONLINE EM SEGURANÇA

A Internet oferece uma conveniência que não é comparável às compras físicas / em loja, dado que é possível pesquisar uma maior oferta de produtos semelhantes, comparar preços e fazer tudo no conforto do lar. Todavia, estas vantagens também são acompanhadas de alguns riscos, dado que os hackers são capazes de aceder a informações pessoais e financeiras de consumidores inocentes.

Dez boas práticas quando compra online:

  1. Espere até chegar a casa para fazer as compras online (sobretudo se estiver a utilizar um wi-fi público).
  2. Compre apenas em sites de confiança (sendo recomendado que o consumidor verifique se o endereço do site começa com https:// e se tem um ícone dum cadeado fechado).
  3. Desative o Bluetooh e o Wi-Fi sempre que possível.
  4. Atualize as apps de forma regular.
  5. Utilize uma VPN quando usa os seus dados móveis.
  6. Quando tiver dúvidas, procure na Internet por esquemas de email fraudulentos.
  7. Confira as políticas de privacidade e garantia.
  8. Só faça pagamentos através de métodos seguros.
  9. Se for bom de mais para ser verdade, provavelmente é mesmo.
  10. Confira os seus extratos bancários regularmente.

COMO É QUE OS HACKERS SELECIONAM OS COMPRADORES ONLINE?

Existem três maneiras comuns pelas quais os piratas informáticos podem tirar proveito dos compradores online:

  1. Criando sites fraudulentos e mensagens de email – É que, ao contrário das compras tradicionais, nas quais o comprador sabe que uma loja é na verdade o que afirma ser, os hackers podem criar sites maliciosos ou mensagens de email que parecem legítimas. Podem também fazer-se passar por instituições de caridade, especialmente após desastres naturais ou durante as férias. O objetivo é só um: tentar convencê-lo a fornecer informações pessoais e dados financeiros.
  2. Intercetação de transações inseguras – Se um fornecedor não usar criptografia, um hacker poderá intercetar as suas informações conforme elas são transmitidas.
  3. Tomando controlo de equipamentos (computadores e smartphones) vulneráveis – Se um consumidor não tiver cuidado a proteger o seu dispositivo contra vírus ou outra ameaça maliciosa, um hacker poderá obter acesso ao equipamento e a todas as informações nele contidas.

Homebanking

O homebanking (i.e., o acesso ao banco através da Internet) é uma das formas mais cómodas de aceder a informações sobre produtos e serviços do banco, realizar operações bancárias, fazer pagamentos, subscrever ou resgatar produtos financeiros e tudo isto sem sair de casa. 

COMO ADERIR AO HOMEBANKING (SERVIÇOS ONLINE DO SEU BANCO)

Se já for cliente bancário, basta aderir através da app do seu banco ou na página de Internet. Pode, igualmente, fazê-lo junto dum balcão ou através dos números de telefone que se encontram no site da sua instituição de crédito.

Geralmente, os bancos exigem a introdução de um número de telemóvel validado. Depois vai receber uma sms ou um email de boas vindas e já poderá aceder com o seu código de acesso. Logo que possível, deve alterar a palavra-passe provisória que lhe foi atribuída pelo seu banco. Veja como definir uma palavra-passe segura.

QUE SERVIÇOS ESTÃO DISPONÍVEIS NO HOMEBANKING

A lista de serviços no homebanking é extensa, destacando-se os seguintes:

  • Consultar movimentos da sua conta;
  • Ver o saldo disponível e o saldo contabilístico;
  • Pagar contas (água, luz ou telecomunicações, por exemplo);
  • Fazer transferências bancárias (nacionais e internacionais);
  • Obter informações sobre os seus cartões de crédito (tais como o limite de crédito, modalidades e opções de pagamento);
  • Pagar compras, serviços e portagens, carregar telemóveis ou ativar/desativar débitos diretos e a Via Verde;
  • Aderir a novos produtos e serviços do seu banco;
  • Alterar limites de crédito ou opções de pagamento dos cartões de crédito;
  • Aceder a informação financeira sobre os seus investimentos.

O QUE É PHISHING E O PHARMING

Existem, todavia, alguns riscos na utilização de serviços bancários online, sendo os dois mais comuns, e para os quais é importante estar alerta: o phishing e o pharming.

O phishing é um método usado para conseguir dados confidenciais, como o nome de utilizador (username), palavra-chave do cartão bancário (password) e outros elementos pessoais que, depois, serão vendidos a terceiros ou utilizados para fazer transações sobre contas existentes ou para a abertura de novas contas bancárias.

Na maioria das vezes, o utilizador recebe um e-mail de alguém que se faz passar pelo banco. Mas também pode receber uma sms no telemóvel. Neste caso, estamos perante um caso de smishing, ou seja, phishing por sms. 

Confira exemplos recentes de bancos e de uma loja de eletrodomésticos.

Há várias tipologias de phishing, eis as mais usuais:

  1. Spearphishing é uma fraude em que um atacante tem um alvo mais preciso e onde é utilizada a sua própria informação pessoal.
  2. Catphishing é uma fraude em que é criada uma identidade ou uma conta falsa numa rede social para enganar as pessoas e levá-las a partilhar a sua informação pessoal ou a fazê-la crer que estão a falar com uma pessoa real atrás duma conta, perfil ou página verdadeira.
  3. Clickbait é a técnica de utilizar fraudulentamente conteúdos, publicações ou anúncios manipulativos online com o objetivo de captar a atenção de pessoas e levá-las a clicar num endereço ou num link, a maior parte das vezes para aumentar o número de visualizações ou o tráfego da página no sentido de fazer dinheiro. 

O pharming é outra fraude, mas recorre a uma técnica mais complexa. O objetivo é fazer o endereço de um site remeter para um servidor diferente do pretendido. Ao parecer uma página fidedigna, quando é solicitado, o utilizador fornece os seus dados pessoais (login, números de conta e senhas de acesso, por exemplo) que depois são utilizados para transferências fraudulentas.  

COMO PROTEGER A SUA CONTA BANCÁRIA

Se usa regularmente o homebanking, deve ter cuidados redobrados para evitar burlas:

  • Altere com frequência a palavra-chave;
  • Atualize regularmente o antivírus (e a firewall) do computador;
  • Não aceda ao site do banco através de links enviados em e-mails (como newsletters) – o ideal é digitar sempre o endereço na barra do browser;
  • Não abra anexos de mensagens não solicitadas, mesmo que pareçam enviadas por conhecidos (dado que o computador dum amigo que esteja comprometido pode disparar e-mails malignos);
  • Não envie o seu nome de utilizador, código de acesso ou cartão-matriz por e-mail;
  • Desconfie de mensagens com endereços estranhos ou português incorreto;
  • Nunca insira dados pessoais em páginas que não garantam uma ligação segura (isto é, que não comecem por https://);
  • Termine sempre a sessão quando aceder ao website do seu banco;
  • Consulte periodicamente a sua conta bancária e os movimentos;
  • Consulte a lista de instituições autorizadas a prestar serviços bancários no site do Banco de Portugal.

DIREITOS E DEVERES EM CASO DE FRAUDE

Em caso de perda, roubo, apropriação indevida de um cartão, suspeita de clonagem ou falsificação, o   titular deve   notificar  de imediato a entidade bancária e serem adotados os procedimentos que, para o efeito, devem constar do contrato (e que por vezes também são indicados nos extratos do cartão ou da conta bancária associada)

Ressalvados os casos de dolo e negligência grosseira, o titular não pode ser responsabilizado por utilizações do cartão depois de ter notificado a entidade bancária do seu extravio, furto ou apropriação indevida.

Se o cliente bancário tiver cumprido os deveres de confidencialidade e segurança dos seus dados, ao comunicar a operação não autorizada ao banco, deverá ser reembolsado. O cliente tem um período de 13 meses, a contar da data do débito, para comunicar ao banco as operações de pagamento não autorizadas.

Todavia, importa esclarecer que o consumidor tem de suportar as perdas relativas a essas operações dentro do limite do saldo disponível ou da linha de crédito associada à conta ou ao cartão, até ao máximo de 50 euros.

Recai sobre o banco o risco das falhas e do deficiente funcionamento do sistema. E terá de ser o banco a provar que a operação de pagamento não autorizada nada teve a ver com avaria técnica ou com outra deficiência do sistema. Só o banco pode assegurar que o complexo sistema informático utilizado funciona bem e garante a confidencialidade dos dados do utilizador.

DIREITO AO REEMBOLSO

Se o banco não conseguir demonstrar que o cliente foi negligente – e mesmo que não se saiba como terceiros acederam aos dados – o consumidor tem o direito de ser imediatamente reembolsado. Se isso não acontecer de imediato, o cliente tem direito a receber juros de mora. O valor dos juros é contado desde a data em que o cliente comunica a operação não autorizada até à data em que é feito o reembolso.

Não faz parte do procedimento dos bancos pedir aos clientes para enviarem dados pessoais, até porque têm apostado em formas de validação cada vez mais sofisticadas nos seus sites, para maior segurança dos clientes. Desconfie se receber e-mails com estes pedidos. Se tiver dúvidas sobre a origem dos e-mails, não clique no link. Abra uma janela e escreva-o ou ligue para a sua agência.

Em caso de dúvida, contacte-nos e denuncie casos suspeitos ao Banco de Portugal.

COMO ADERIR AO DÉBITO DIRETO

O débito direto – ou “débito em conta” – permite a uma empresa receber um pagamento diretamente da conta bancária do consumidor. A sua ativação é muito simples: a empresa envia a autorização dada pelo consumidor ao banco deste e o pagamento dos serviços faturados passará a ser automático.

As vantagens da utilização do débito direto são muitas, a começar pela despreocupação em relação a prazos e contas (sobretudo) certas, como as que respeitam aos serviços de energia, água e telecomunicações. Com as faturas eletrónicas consegue, ainda, otimizar o seu tempo e ganha em comodidade.

E quanto a não estar a contar com o débito, importa não esquecer que os prestadores de serviços têm de enviar as faturas aos consumidores com antecedência, informando-os do montante a pagar e da data prevista para o débito.

A prevenção é fundamental e por isso só deve facultar o NIB e outros dados bancários a entidades credíveis, com as quais mantenha uma relação contratual ou algum outro vínculo sólido (como fornecedores de energia ou telecomunicações).

Consulte regularmente a lista de autorizações de débito direto que mantém ativas. Pode fazê-lo através: (i) da Internet (se tiver acesso online à conta bancária), (ii) duma caixa Multibanco (selecione a opção “Consultas” e “Autorizações de débito”) ou (iii) indo ao balcão do banco que gere a sua conta. 

E não se esqueça que se for consumidor pode definir limites à cobrança por débito direto: (a) seja em função da validade (decidindo até quando autoriza a cobrança automática), (b) seja em função da periodicidade (decidindo que a cobrança só possa ser feita, por exemplo, uma vez por semana/mês/ano) ou (c) seja em função do valor (fixando o montante máximo que pode ser cobrado automaticamente).

Estas são as formas imediatas de garantir que só entidades autorizadas e por si conhecidas podem efetuar cobranças da sua conta bancária.

COMO DESACTIVAR UM DÉBITO DIRETO

Se quiser desativar uma autorização de débito direto é muito simples e rápido. No Multibanco, basta selecionar a autorização em vigor e mudar o seu estado para “inativo”. No homebanking, basta entrar na sua conta bancária e aceder à gestão de “débitos diretos”, consultar os que estão ativos e, querendo, desativar a autorização.

Para além do mais, deve monitorizar regularmente os movimentos da sua conta. Tenha atenção ao descritivo que identifica os movimentos de débito, para identificar facilmente se correspondem a autorizações de débito direto ativas.